Prefeitos apostam na própria popularidade para ajudar a eleger primeiras-damas no Rio

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Cristiane Kaizer e Fernanda Neves, candidatas a deputadas | Foto: Reprodução

Ao menos dois prefeitos de cidades importantes do Rio vão usar sua popularidade para tentar influenciar diretamente as eleições de 2026 em apostas mais que pessoais. Em Niterói e Queimados, os prefeitos lançaram as próprias esposas como candidatas a deputadas estaduais, numa estratégia para ampliar presença e influência no cenário estadual pós-eleição.

Em Queimados o prefeito Glauco Kaizer (União), reeleito em 2024, apoiará a esposa, Cristiane Kaiser (PSD), como candidata ao Legislativo estadual. Glauco está à frente do município desde 2021 e venceu a disputa pela reeleição em 2024, com 49% dos votos. Os dois são educadores, com realizações a exibir aos eleitores e a população de Queimados em cinco anos de mandato. Kaizer enfrentou um começo difícil mas hoje tem avaliação regular. Os votos na Baixada Fluminense, no entanto, são disputadíssimos. Apesar disso o casal Kaizer confia num bom desempenho regional e no interior, onde Cristiane está buscando apoios. Queimados mais de uma vez elegeu deputados estaduais e federais. A cidade tem voto para isso e a legenda do PSD, puxada por Eduardo Paes, estima eleger de 12 a 15 deputados.

Situação semelhante ocorre em Niterói, onde o prefeito Rodrigo Neves (PDT) também apoia a esposa, Fernanda Neves (PDT), que estreia na política. Neves inclusive colhe algumas desavenças locais por causa da escolha. O casal está junto há 30 anos e se conheceu na militância católica. Fernanda pode ser a surpresa no PDT após a decisão do atual deputado estadual Vítor Júnior (PDT) de disputar vaga no Congresso Nacional. Rodrigo Neves já foi vereador, deputado estadual e cumpre seu terceiro mandato à frente da prefeitura, após vencer as eleições de 2024 no segundo turno com mais de 57% dos votos. Fernanda, no entanto, já voa mais longe que o esposo e planta sua campanha em várias cidades fora da zona metropolitana, inclusive na Costa Verde.

A candidatura das primeiras-damas não é novidade no Rio de Janeiro e, claro, sempre motiva um debate sobre a formação de ‘dinastias políticas’ e o uso de capital eleitoral familiar nas disputas proporcionais, o que pode causar desequilíbrio na representatividade, especialmente onde lideranças locais exercem forte influência sobre o eleitorado.

Em Angra dos Reis, por exemplo, a boa avaliação da gestão do ex-prefeito Fernando Jordão (2017/24) foi determinante para a eleição da deputada estadual Célia Jordão (PSD), sua esposa, que hoje disputa novamente a reeleição à Assembleia Legislativa estadual.

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