Concretagem da base do biorreator marca nova etapa da obra, que terá capacidade inicial para tratar cerca de 4 milhões de litros de esgoto por dia
PARATY — As obras da nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Paraty avançaram para uma etapa estrutural decisiva com a conclusão da concretagem da base do biorreator, principal unidade do sistema biológico responsável pelo tratamento dos efluentes do município. A execução da fundação exigiu a aplicação de aproximadamente 140 metros cúbicos de concreto.
A implantação do complexo é resultado de uma cooperação técnica e financeira entre a Prefeitura Municipal de Paraty, o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), com recursos do Fundo Estadual de Meio Ambiente (FECAM) e colaboração técnica da Tigre. O projeto foi concebido com possibilidade de expansão modular, permitindo ampliar gradualmente a capacidade de tratamento e contribuir para a solução de um histórico déficit de saneamento básico no município.
A iniciativa também está associada às ações de proteção ambiental e de preservação do Sítio Misto Patrimônio Mundial de Paraty, reconhecido pela UNESCO, diante da necessidade de conciliar o crescimento urbano com a conservação dos recursos naturais da região.
Da engenharia das marés à engenharia sanitária
A preocupação de Paraty com a relação entre urbanismo, água e higiene pública remonta ao século XVIII. O Centro Histórico foi implantado segundo princípios do urbanismo português da época, com traçado regular e características topográficas que permitiam a entrada das marés em determinadas áreas das vias.
Esse sistema contribuía para a limpeza das ruas da antiga vila portuária, em uma época em que os recursos de saneamento eram bastante diferentes dos atuais.
Séculos depois, o crescimento da população e a necessidade de proteger os ecossistemas da Baía da Ilha Grande exigem soluções de engenharia sanitária mais sofisticadas. A nova ETE representa essa transição: da ação natural das marés para um sistema tecnológico de tratamento de efluentes.
Capacidade inicial de 4 milhões de litros por dia
A primeira fase da estação tem previsão de conclusão para abril de 2028. Sob gestão da Concessionária Águas de Paraty, o sistema deverá iniciar a operação com vazão de 43 litros por segundo, capacidade equivalente ao tratamento de aproximadamente 4 milhões de litros de esgoto por dia.
A estimativa é de que, nessa primeira etapa, a estrutura beneficie diretamente cerca de 45% da população local, contribuindo para a redução do lançamento inadequado de esgoto e para a melhoria da qualidade ambiental de rios e praias do perímetro urbano.
O projeto também foi dimensionado para futuras ampliações. Nas etapas seguintes, a capacidade poderá chegar a 140 litros por segundo, permitindo que a infraestrutura acompanhe o crescimento urbano do município sem a necessidade de implantação de uma nova estação.
Saneamento como investimento em saúde
Além dos benefícios ambientais, a ampliação do tratamento de esgoto tem impacto direto sobre a saúde pública. A destinação adequada dos efluentes contribui para reduzir a exposição da população a agentes causadores de doenças de veiculação hídrica e, consequentemente, pode diminuir a pressão sobre serviços de atendimento médico, internações e utilização de medicamentos.
Durante uma visita técnica ao canteiro de obras, o prefeito Zezé destacou a importância da intervenção para o município:
“Essa é uma das obras mais importantes e mais esperada pela nossa população. A concretagem da base do biorreator comprova o bom andamento da obra e a nossa alegria é muito grande de ver que realmente está acontecendo.”
Com a conclusão da base do biorreator, os trabalhos entram em uma nova fase, que inclui a elevação estrutural dos tanques e a montagem dos módulos responsáveis pelo tratamento biológico.
As atividades seguem sob acompanhamento das equipes de engenharia do município e dos órgãos ambientais estaduais, com o objetivo de garantir o avanço da obra dentro dos parâmetros técnicos e ambientais previstos.
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