Morador do Morro da Caixa D’Água, angrense perdeu 40 quilos em seis anos e transformou a atividade física em parte da rotina, conquistando pódios em competições dentro e fora do município
Conhecido em Angra dos Reis pelo carisma e pela facilidade de fazer amigos, Silvio Matos, o Gibi, de 54 anos, construiu uma trajetória de superação que hoje pode ser contada em números: 40 quilos a menos, mais de 100 corridas disputadas, 180 medalhas e cerca de 50 troféus. O que começou como uma tentativa de abandonar o sedentarismo se transformou em uma paixão pelo atletismo e em uma rotina de treinamentos e competições.
A mudança começou quando Gibi percebeu que algo não estava bem. Ao subir o Morro do Carmo, onde mora até hoje, sentiu um cansaço intenso e precisou parar algumas vezes para recuperar o fôlego. Ao subir na balança, veio outro sinal de alerta: estava com 120 quilos. Os hábitos alimentares pouco saudáveis e a falta de atividade física fizeram com que decidisse mudar de vida.
O primeiro incentivo veio do amigo e vizinho André Castilho, que o convidou para começar a correr. Gibi inicialmente resistiu, mas acabou aceitando o desafio. A atividade ganhou força durante a pandemia de Covid-19, em 2020, quando as academias estavam fechadas e os treinamentos passaram a acontecer nas ruas.
Nesse processo, o professor Marcondes Moreira teve papel importante, acompanhando e incentivando sua evolução tanto na academia quanto nas corridas. Gibi também destaca o apoio do corredor Alessandro Inácio e o incentivo à amiga Edna Rodrigues, que igualmente se tornou referência nas provas de rua da cidade.
No começo, o desempenho estava longe do que alcançaria anos depois. Ele conta que participava de treinos com mulheres acima de 60 anos e, muitas vezes, não conseguia acompanhar o grupo, precisando retornar caminhando. A persistência, porém, falou mais alto.
Hoje, a rotina começa às 4h30 da manhã, de segunda a sábado, com treinamentos que incluem corridas de diferentes distâncias e exercícios de velocidade. Aos domingos, o descanso costuma dar lugar às competições. Em seis anos, Gibi passou dos 120 para os atuais 80 quilos e se tornou presença frequente nos pódios de provas em Angra e em outras cidades.
Na categoria de 50 a 54 anos, ele vem conquistando bons resultados e também já alcançou colocações de destaque na classificação geral masculina. Entre as provas, alterna treinos de 12 quilômetros com séries de velocidade, adaptando a preparação às exigências das competições.
A coleção de medalhas e troféus, organizada em prateleiras no local onde trabalha, é uma lembrança permanente dessa transformação. Mais do que os resultados, Gibi comemora a disposição e a qualidade de vida conquistadas com a mudança de hábitos.
Raízes no Morro da Caixa D’Água
Nascido e criado no Morro da Caixa D’Água, Gibi também guarda boas lembranças da infância e da juventude na comunidade. O futebol ocupava lugar central na rotina dos moradores, especialmente no Campo da Bolívia, onde eram realizados torneios e partidas organizados por Vandi Queiroz, figura importante para o lazer da garotada. As peladas nos campos do Aterro do São Bento também marcaram essa época.
Outra lembrança especial é o Bloco da Jaqueira, criado por Vandi e que levou o carnaval às ruas da comunidade. Gibi recorda com carinho a participação dos moradores e uma transmissão de uma final de torneio no Campo da Bolívia pela Rádio Angra AM, no início dos anos 1990, com narração de Chumbinho e reportagens de Beto Carmona.
O bloco foi recentemente resgatado, tendo à frente Renan Lima, recuperando parte dessa tradição cultural do bairro.
Pai de três filhas e avô de três netas, Gibi mantém o vínculo com suas origens e celebra a nova fase. A trajetória mostra que a mudança de hábitos pode abrir caminhos para novos desafios e conquistas em qualquer idade.
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