Ministério Público pede impugnação da candidatura de Márcio Canella, suspeito de ligação com criminosos

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Márcio Canella foi o segundo deputado mais votado do Rio - Foto: Alerj

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite o registro da candidatura de Márcio Canella (União Brasil), eleito deputado estadual do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. O parecer aponta vínculos do político com organizações criminosas e sustenta que há elementos que justificariam o impedimento de sua candidatura.

A manifestação foi apresentada pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, que pediu a reforma da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), responsável por autorizar anteriormente o registro de Canella. Segundo o MPE, a análise do tribunal regional ocorreu antes de serem disponibilizadas informações de uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os elementos citados pelo Ministério Público estão a suposta nomeação de pessoas ligadas a milícias para cargos na prefeitura de Belford Roxo durante a gestão de Canella e indícios de apoio político-eleitoral de integrantes desses grupos. O parecer também menciona suspeitas de que a administração municipal teria mantido entendimentos com integrantes do Comando Vermelho durante ações para retirada de barricadas em comunidades.

O documento sustenta ainda que a Constituição permite impedir a participação eleitoral de candidatos associados à influência de organizações paramilitares ou grupos semelhantes, sem que seja necessária uma condenação criminal definitiva. Para o MPE, os elementos reunidos nas investigações seriam suficientes para caracterizar uma relação política entre Canella e grupos criminosos.

Canella foi eleito para um novo mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com cerca de 197 mil votos, ficando entre os candidatos mais votados do estado. O político, no entanto, está preso desde 15 de outubro, quando foi alvo de uma nova etapa da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga uma organização suspeita de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis.

A decisão sobre o pedido do Ministério Público Eleitoral caberá ao TSE. As acusações mencionadas no parecer ainda são objeto de investigação, e a eventual impugnação da candidatura dependerá da análise da Justiça Eleitoral. A defesa de Canella tem negado envolvimento com organizações criminosas e sustentado a legalidade de sua atuação política.

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