Casa Paraty na Flip celebra a cultura caiçara viva e a memória do território

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Evento destacou a riqueza da cultura paratiense | Foto: Divulgação/PMP

A edição deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) contou com uma ação inédita de valorização da produção cultural local: a estreia da Casa Paraty. Projetada como um ponto de convergência para a memória e a criação contemporânea do município, o espaço dedicou sua programação integralmente à salvaguarda dos saberes caiçaras, quilombolas e às manifestações das comunidades tradicionais que formam a identidade de Paraty, reconhecida como Sítio Misto Patrimônio Mundial da Unesco.

Durante os cinco dias da Festa, o público teve uma programação plural com debates, lançamentos literários, artes visuais e apresentações musicais. Um dos momentos marcantes foi no sábado, 25, com a apresentação dos Cirandeiros de Paraty, que reafirmaram a força da ciranda enquanto patrimônio imaterial, pautado na memória oral e na convivência comunitária da Costa Verde.

A exposição Trindade: Quando o Território Virou Luta, com base no acervo fotográfico da Associação de Moradores da Trindade reuniu imagens produzidas entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980, registrando a mobilização comunitária em defesa da posse e preservação do seu território.

Simultaneamente, a Galeria de Arte Popular teve obras de artistas paratienses de diferentes gerações, apresentando um panorama visual em fotografia, pintura, escultura e cerâmica. A programação literária do espaço destacou obras de autores locais com os lançamentos dos livros Jair da Trindade – Por Alguma Justiça, de Victor Rebouças, e Parque da Mangueira e Ilha das Cobras – O Tradicional na Territorialidade Contemporânea de Paraty, de Mírian Machado. No campo do audiovisual, a mesa Cinema e Audiovisual promoveu um diálogo sobre a memória do cinema em Paraty entre o historiador Diuner Mello e a atriz Nanda Costa.

De acordo com a prefeitura de Paraty, a relevância da integração da cultura local ao maior evento do calendário refletiu-se também nos dados econômicos. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ) e informações divulgadas pela diretora de cultura e educação da Flip, Belita Cermelli, cada R$ 1 investido na Festa gera um retorno de R$ 13 para a economia de Paraty, impulsionando o comércio, a gastronomia e a cadeia produtiva regional.

Para a curadora da Casa Paraty, Vanda Mota, a criação do espaço respondeu à necessidade de harmonizar o ritmo cultural das comunidades locais ao grande fluxo de visitantes que a cidade recebe durante a Flip.

— Sendo a Flip o maior dos eventos culturais da cidade, é fundamental que a cultura local possa se apresentar com sua maturidade e seus processos para esse público — pontuou a curadora Vanda Mota.

A coordenadora e uma das idealizadoras da Casa, Gabriela Marsico, enfatizou a importância da continuidade das tradições aliada ao protagonismo das novas gerações paratienses destacando que a ‘memória, identidade e pertencimento’ são inseparáveis.

Com o encerramento da 24ª Flip, a experiência da Casa Paraty acabou tornando-se uma importante referência de salvaguarda cultural local, demonstrando a maturidade artística do território e reafirmando o compromisso de Paraty com a preservação de sua herança imaterial.

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