Documentário e podcasts celebram a cultura popular da Grande Tijuca

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Projeto de registro cultural recebe recursos do governo federal | Foto: Divulgação

A ONG CRIAR Brasil está registrando em documentários e podcasts as tradições culturais afro-brasileiras da Grande Tijuca, na Zona Norte do Rio. O projeto “Na Cadência Carioca – Mestres e Mestras dos Saberes” percorre cinco comunidades — Formiga, Salgueiro, Turano, Mangueira e Vila Isabel — para preservar saberes ancestrais transmitidos por gerações. A iniciativa inclui a produção de cinco curtas-metragens e podcasts, com lançamento previsto ainda este ano.

A região, marcada por desigualdades sociais e falta de acesso a serviços básicos, abriga manifestações culturais resistentes. Entre elas, a Folia de Reis do Morro da Formiga, o Caxambu do Salgueiro e o Bloco Cometas do Bispo no Turano. Jovens das comunidades também participam do projeto, ajudando a documentar essas expressões artísticas e fortalecer a memória local.

Além dos registros audiovisuais, o projeto promoverá rodas de saber, oficinas e apresentações culturais. O encerramento ocorrerá em novembro, no Centro Coreográfico do Rio, como parte das celebrações do Mês da Consciência Negra. O evento reunirá mestres e mestras de todas as tradições mapeadas.

Samba é característica presente na região | Foto: Divulgação

Destaques incluem o Samba da Mangueira, com suas porta-bandeiras, e o Samba de Vila Isabel, que resiste apesar da violência local. O projeto busca não só valorizar essas práticas, mas também reforçar a cultura como ferramenta de transformação social.

Financiado pelo Fundo Nacional de Cultura, “Na Cadência Carioca” visa criar um legado acessível às novas gerações, conectando passado, presente e futuro por meio da arte e da oralidade. A realização é do Ministério da Cultura, do governo federal.

Características locais — No Morro da Formiga, onde a ocupação urbana remonta aos anos 1940 e a comunidade sofre com riscos geológicos e vulnerabilidade social, a Folia de Reis “A Brilhante Estrela de Belém” mantém viva a fé, a música e a celebração. No Morro do Salgueiro, povoado desde 1885 por ex-trabalhadores das lavouras de café e berço da icônica escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, o Caxambu ecoa a força das raízes afro-brasileiras, em um território que só teve acesso à água encanada em 2022.

No Complexo do Turano, maior favela da Tijuca, com renda média entre um e cinco salários mínimos, a arte pulsa com o Bloco Cometas do Bispo, que transforma o carnaval em ferramenta de mobilização popular. A Mangueira, com sua forte tradição no samba, no carnaval e nas lutas negras, contribui com o Samba da Mangueira, conduzindo a sabedoria das porta-bandeiras, ícones de elegância e resistência.

E em Vila Isabel, bairro marcado pela boemia, pela herança de Noel Rosa e pela efervescência cultural de suas comunidades, o Samba de Vila Isabel segue como manifestação viva mesmo diante da violência que marca favelas como os morros dos Macacos e de São João.

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