A demissão do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), do cargo de secretário de Estado de Transportes do Rio na semana passada embaralhou o cenário pré-eleitoral da disputa ao governo do Estado e complicou os planos da direita no Rio. Demitido pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), durante a estada interina como governador, Reis caiu atirando contra o próprio Bacellar e atingiu com estilhaços o governador do Rio, Cláudio Castro (PL). No movimento, aliás, pode até ter ferido de morte os planos do deputado.
No desenho inicial de Cláudio Castro, Bacellar assumiria o governo do Rio em definitivo a partir de maio do ano que vem e disputaria a reeleição com apoio do governador, que seria então candidato ao Congresso (preferencialmente a senador). A equação incluiria o MDB de Washington e o apoio da famiglia Bolsonaro. O próprio ex-presidente indicaria um vice do PL a Bacellar e jogo jogado. Agora, sem Reis na equação, o final dessa conta está incerto.
Washington Reis e o MDB garantem que não darão apoio a Bacellar. O PL ensaia tampouco apoiar Castro e o seu preferido. Nas últimas horas, o próprio Washington Reis lançou-se pré-candidato do MDB e ainda ofereceu a vaga de vice ao prefeito de Campos, Wladimir (Progressistas), atraindo por gravidade os ex-governadores Rosinha e Garotinho, pais do prefeito. Wladimir e Garotinho são adversários locais de Bacellar.
Em manifestação informal, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o pai também deseja apoiar Washington Reis para tirá-lo da ‘área de gravidade’ do presidente Lula (PT), evitando uma aliança local com o petista na Baixada Fluminense. Os eventos recentes envolvendo a taxação do Brasil pelos Estados Unidos e a repercussão geral do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) levaram preocupação a Flávio, que disputará a reeleição ao Senado ainda na condição de favorito.
Nesse enredo, Cláudio Castro tornou-se politicamente ainda mais fraco. Castro é um dos governadores mais mal avaliados do país e viu sua situação política ruir. Se mantiver seu apoio a Bacellar e o desenho original, não terá vaga para a disputa ao Senado e corre o risco de não ser eleito em 2026; se descumprir o acordo sem aval dos Bolsonaro’s e do próprio Bacellar, será fritado durante o mandato pelo vingativo presidente da Assembleia Legislativa do Rio. Apequenou-se ainda mais, portanto, tornando-se refém das suas próprias fraquezas.
Do outro lado da cidade, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), por ora só observa, aguardando que a extrema-direita defina seu rumo para então administrar as sobras. Cada movimento errático da direita e da extrema-direita, tornam o caminho de Paes cada vez menos acidentado até a provável candidatura ao governo do Rio.
TRIBUNA LIVRE: JORNALISMO SÉRIO. O TEMPO TODO
Siga o canal do jornal Tribuna Livre no WhatsApp.
Leia mais:





