Ferramenta reúne dados de clima, saúde, ambiente e infraestrutura para orientar ações preventivas nos 92 municípios
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) lançou o Índice Multidimensional de Excesso de Calor (IMEC-RJ), nova ferramenta criada para identificar e classificar o risco de calor extremo à saúde da população nos 92 municípios fluminenses. A iniciativa integra dados de saúde, clima, ambiente, características demográficas e estrutura da rede pública e faz parte das ações de prevenção aos efeitos do Super El Niño.
Além de apontar o nível de risco de cada cidade, o índice relaciona a classificação a medidas previstas no Plano de Contingência para o enfrentamento do excesso de calor. A proposta é permitir que os municípios se antecipem aos eventos extremos, reduzam danos à saúde e preparem a rede pública para atender a possíveis aumentos na demanda.
“Nosso objetivo é dar condições e suporte aos municípios para pronta resposta aos impactos do El Niño. Essa combinação de dados vai permitir que a nossa área técnica emita alertas às cidades com antecedência de cinco dias do efeito climático extremo. E isso possibilitará melhor preparo das unidades de saúde para redução de danos”, afirma o secretário estadual de Saúde, Dr. Ronaldo Damião.
O IMEC-RJ já pode ser consultado na aba Excesso de Calor do Monitora RJ.
Como o índice funciona
O IMEC-RJ considera diferentes características de cada município para identificar a vulnerabilidade da população em períodos de temperaturas elevadas. Entre os critérios analisados estão a exposição anterior a eventos de calor, características demográficas e perfis de mortalidade, ocorrência de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, disponibilidade de leitos e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), além de condições socioeconômicas, cobertura vegetal e infraestrutura.
Segundo Luciane Velasque, superintendente de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, a ferramenta também estabelece medidas preventivas para que os municípios estejam preparados diante de um eventual evento climático extremo.
“A partir da implementação do IMEC-RJ, a Secretaria estabelece uma série de ações a serem implantadas como prevenção aos efeitos do Super El Niño. O objetivo é fazer com que as cidades possam se preparar previamente para um eventual advento climático extremo e saibam como proceder”, explica.
Capacitação e resposta a emergências
O Plano de Contingência classifica o excesso de calor em cinco níveis: Nível 0, sem calor; Nível 1, leve; Nível 2, severo; Nível 3, extremo; e Nível 4, quando uma situação severa ou extrema permanece por mais de cinco dias. Para cada estágio, estão previstas ações específicas.
Entre as medidas estão oficinas presenciais de capacitação para os 92 municípios e a distribuição de uma cartilha de contingência, organizada por cores e destinada a gestores, profissionais de saúde, população e área de saúde animal.
As capacitações, organizadas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) estadual, buscam fortalecer o planejamento municipal, a identificação de indicadores de vulnerabilidade e a integração entre as áreas de vigilância e assistência. Os encontros serão realizados em dois ciclos regionais: nos dias 25 e 26 de agosto, para municípios das regiões Noroeste, Norte, Baixada Litorânea, Médio Paraíba e Ilha Grande; e nos dias 27 e 28, para Serrana, Metropolitanas I e II e Centro-Sul.
O plano prevê ainda operações emergenciais, como reforço da frota da capital com veículos de intervenção rápida, motolâncias e ambulância para múltiplas vítimas, além do apoio de duas aeronaves para transferências inter-hospitalares. Também está previsto o envio de insumos estratégicos para localidades afetadas.
Impactos já identificados
A ampliação do monitoramento considera que os efeitos do calor extremo não atingem todas as regiões do estado da mesma forma. Estudo realizado pela SES-RJ e publicado na revista da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mostrou que, durante o último evento extremo, entre 11 e 18 de novembro de 2023, a média diária de mortes no estado dobrou.
A Região Noroeste apresentou a maior sensibilidade ao fenômeno, com aumento de 74% no risco de mortalidade, principalmente entre pessoas idosas.
Com o IMEC-RJ, o Governo do Estado pretende ampliar a capacidade de antecipar riscos, orientar os municípios e direcionar medidas de acordo com a realidade de cada região. A estrutura estadual ficará disponível para apoiar as cidades na prevenção, na resposta e na redução dos impactos de possíveis eventos de calor extremo.
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