O advogado e empresário Edson Moura (foto) está há cerca de um mês no cargo de secretário de Turismo de Paraty e já tem a receita do que pretende fazer no cargo. Em entrevista exclusiva ao Tribuna Livre ele disse que a prioridade será diversificar a oferta de produtos e serviços turísticos a fim de atrair mais visitantes.

— Nós já temos muitas rotas alternativas mapeadas pela secretaria, até mesmo com opções para a visitação. O que precisamos é criar mais infraestrutura e divulgação para convencer também os empresários a investir nestes novos caminhos — diz Edson.

Diante de uma crítica a respeito da mudança no perfil do turista que visita a cidade nos últimos anos, Moura diz que sim, que houve alteração, mas que é preciso não desvalorizar o potencial deste visitante, mesmo que ele esteja gastando menos, sobretudo por causa da crise nacional e das questões de natureza econômica.

— Temos turistas que vêm à cidade todos os anos, que mandam as pessoas para cá e não podemos fechar a porta para este visitante de forma nenhuma. Ele está fazendo a nossa economia girar também — afirma Moura.

Ex-presidente do Polo Gastronômico da cidade e membro do Convention Bureau (organização que reúne empresas do setor de turismo), Edson conhece as demandas dos empresários do setor, que de certa forma referendaram a sua escolha para o cargo. A necessidade de diversificação da oferta tem a ver com um pedido dos próprios empreendedores já que há destinos hoje sobrecarregados. Uma das metas de médio prazo é começar um estudo de capacidade de carga e controle de acesso a alguns pontos de visitação menores, como experiência, para a implantação de ações futuras em locais de mais movimento. Uma das ideias é começar este projeto pela cachoeira Poço do Inglês, cachoeira bastante visitada na cidade.

Paraty alterna-se com Angra entre o segundo e o terceiro destino mais visitado do Estado do Rio no interior, dependendo da época do ano. Também é bastante visitada por estrangeiros. Em Paraty, porém, a ocupação média alta é mais regular e favorecida pelos eventos do calendário turístico anual. A experiência será mantida em 2019, basicamente com as edições anuais dos grandes eventos e as festas tradicionais.

Nos últimos dois feriados de 12 de outubro e Finados, a ocupação ultrapassou os 90%, trazendo alento para os cerca de 500 hotéis e pousadas e quase 600 restaurantes. Para o fim do ano, uma das novidades pode ser o réveillon na Jabaquara, proposta que ainda vai passar por avaliação, sobretudo a respeito do quesito segurança. Edson crê que num espaço maior que a tradicional queima de fogos na Santa Rita, haja mais conforto para a população e os visitantes.

Cais — Já no primeiros dias no cargo, o secretário ainda teve de enfrentar a queixa de donos de embarcações sobre o uso do cais de turismo. A retirada das catracas de controle por causa da alta inadimplência registrada no pagamento dos acessos acabou causando desordem e concorrência predatória com preços muito baixos, prejudicando os pequenos barqueiros. A solução, segundo Edson, será o reforço na fiscalização, além de um diálogo com os operadores do local.

— A cobrança do acesso é excelente para controlar, só que infelizmente, com a alta inadimplência dos próprios empresários, a prefeitura não teve mais condições de bancar o sistema, retirando dinheiro de outras ações. Seria preciso mais entendimento de todos para que isso funcione como deveria — acredita o secretário.

Secretário também elogia o ambiente empresarial na cidade

A existência de coletivos empresariais atuantes como o Paraty Convention Bureau, o Polo Gastronômico e a associação de barqueiros do cais são diferenciais favoráveis ao destino, para o secretário de Turismo, Edson Moura. Ele elogiou a disposição dos empresários em ajudar o poder público com engajamento, patrocínio de ações de divulgação (a cargo do Convention) e mesmo quando há discordâncias imediatas com a prefeitura.

— A participação, como em qualquer cidade, deve ser sempre incentivada mesmo, mas quando precisamos, os empresários ajudam e colaboram. Também gosto do fato de que há uma independência muito boa, com cobranças que às vezes ajudam a prefeitura e, claro, a cidade — diz Edson Moura, que agora passou, digamos, para ‘o outro lado do balcão’.

Fotos: Reprodução

Publicado antes na edição 230 do jornal Tribuna Livre.

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