Em 2026, o romance ‘Grande Sertão: Veredas’, considerado um dos clássicos indispensáveis da literatura mundial, completa 70 anos de publicação. Para marcar a data, o projeto Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia fará uma ocupação artística que conecta o sertão mineiro ao debate sobre a condição humana. A iniciativa tem como destaque uma trilogia teatral interpretada pelo ator Gilson de Barros e dirigida por Amir Haddad, que aposta na força da palavra e da narrativa para dar vida ao universo do personagem Riobaldo.
As apresentações serão em Mangaratiba, entre os dias 19 a 21 de março, e acontecerão em centros culturais e espaços comunitários, ampliando o acesso ao teatro e estimulando reflexões sobre a obra do escritor mineiro João Guimarães Rosa. Pela primeira vez, o projeto também será apresentado em uma comunidade quilombola, em Mangaratiba. Todas as atividades serão gratuitas.
A programação começa no dia 19 de março (quinta-feira), às 14h, com o espetáculo ‘Riobaldo’, no Polo de Envelhecimento Saudável da Terceira Idade. No dia 20, o Centro Cultural Cary Cavalcanti recebe, às 14h, a oficina ‘Da prosa rosiana à dramaturgia’ e, às 17h, a peça ‘No Meio do Redemunho’, com audiodescrição e intérprete de Libras. Já no dia 21 (sábado), às 9h, o Quilombo Santa Justina e Santa Izabel será palco do espetáculo ‘O Julgamento de Zé Bebelo’, seguido de uma roda de conversa sobre a obra de Guimarães Rosa.
A trilogia apresenta três recortes dramatúrgicos que podem ser assistidos de forma independente ou em sequência. O primeiro espetáculo, ‘Riobaldo’, aborda os relacionamentos amorosos do romance, especialmente o vínculo entre Riobaldo e Diadorim. Já ‘No Meio do Redemunho’ explora os conflitos morais do protagonista, refletindo sobre o embate entre bem e mal e a possibilidade de um pacto com o diabo. A terceira montagem, ‘O Julgamento de Zé Bebelo’, retrata o sistema de jagunços que marcou o sertão mineiro entre o final do século XIX e o início do século XX.
Segundo Gilson de Barros, idealizador do projeto, a proposta de adaptar o romance começou a ser pensada entre 2015 e 2016, período em que se preparava para se aposentar da gestão pública no Rio de Janeiro. Após apresentar uma primeira versão do trabalho em eventos literários e receber avaliações positivas de nomes como Nélida Piñon e Antônio Cícero, o ator levou a ideia ao diretor Amir Haddad, dando início à produção da primeira peça da trilogia, que estreou em 2020.
Desde então, o projeto percorreu palcos no Brasil e no exterior, somando 647 apresentações em 68 cidades brasileiras e reunindo cerca de 14 mil espectadores. A trilogia também foi apresentada em Portugal e na Colômbia, durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá. O trabalho recebeu o Prêmio Arcanjo de Cultura e indicações ao Prêmio Shell, consolidando-se como uma das iniciativas de difusão da obra de Guimarães Rosa no teatro contemporâneo.
O diretor Amir Haddad é fundador de grupos fundamentais do teatro nacional, como A Comunidade e Tá na Rua e conhecido por sua contribuição à cena brasileira, com intensa atividade artística e pedagógica. Gilson de Barros, ator e dramaturgo, soma mais de 25 espetáculos no currículo. Trabalhou com diretores como Augusto Boal, Domingos Oliveira e o próprio Haddad.
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