O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) deu início a um projeto pioneiro de monitoramento de aves migratórias na Reserva Ecológica Estadual da Juatinga, em Paraty. A iniciativa começou em julho e tem como objetivo identificar as espécies que frequentam a região costeira e registrar seus comportamentos, preenchendo uma importante lacuna no conhecimento científico sobre a avifauna migratória da região.
A ação, que ocorre quinzenalmente, combina pesquisa científica, formação de guias e incentivo ao ecoturismo. O foco principal está nas áreas do Saco do Mamanguá, Baía de Paraty e Enseada da Cajaíba — regiões que até então não contavam com estudos específicos sobre as aves migratórias que por ali passam.
Durante a última vistoria, foram encontrados ninhos das espécies Trinta-Réis-de-Bando (Thalasseus acuflavidus) e Trinta-Réis-de-Bico-Vermelho (Sterna hirundinacea). Os técnicos também identificaram locais de descanso, com separação entre aves adultas e filhotes, e observaram que algumas aves começaram a repousar em uma fazenda de algas próxima à reserva, evidenciando a importância da preservação desses habitats.
— Esta iniciativa representa um marco para a conservação costeira no Rio de Janeiro. Ao unir pesquisa, formação e ecoturismo, o Inea estabelece um modelo sustentável que protege a biodiversidade e gera conhecimento — afirmou o secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.
O projeto é conduzido por guarda-parques do Inea em parceria com a pedagoga Sylvia Junghähnel. Os dados levantados serão enviados à Universidade de Cornell, nos Estados Unidos — referência mundial em estudos ornitológicos — e estarão disponíveis para cientistas de todo o mundo, contribuindo para pesquisas internacionais e para a ciência cidadã. Após a fase inicial, os próprios guarda-parques darão continuidade ao monitoramento, garantindo a autonomia e a sustentabilidade da ação.
Sobre a Reserva
Localizada no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, a Reserva Ecológica Estadual da Juatinga abrange 9.797 hectares de remanescentes de Mata Atlântica, restingas, manguezais e costões rochosos. Criada em 1992, a unidade de conservação tem como missão preservar a biodiversidade local e valorizar a cultura tradicional caiçara. Cerca de 1.500 pessoas vivem em 15 comunidades distribuídas ao longo da costa da reserva.
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