O Governo do Estado do Rio de Janeiro lançou, no último dia 7, o programa Nós+Seguras, uma iniciativa inédita voltada à prevenção da violência contra meninas nas escolas da rede estadual. O projeto une as secretarias de Educação, da Mulher e de Saúde, em parceria com a ONG Serenas, com o objetivo de transformar as unidades escolares em ambientes mais seguros, acolhedores e comprometidos com a proteção e os direitos das alunas.
— Com o Nós+Seguras, reforçamos o papel da escola como espaço de transformação social. Essa é uma política pública integrada e estruturada, com foco na prevenção. Proteger nossas meninas é proteger o futuro do Rio de Janeiro — declarou o governador Cláudio Castro.
O programa prevê a formação contínua de profissionais da educação e da saúde, rodas de conversa com estudantes e o uso de metodologias acessíveis para a abordagem do tema no dia a dia escolar. A proposta busca romper ciclos de violência intergeracional e promover uma cultura de paz, equidade e respeito desde a infância.
Para a secretária estadual da Mulher, Heloisa Aguiar, o Nós+Seguras representa um avanço significativo na política de enfrentamento à violência de gênero.
— Essa é uma ação que rompe com a lógica de iniciativas isoladas. Estamos unindo esforços, metodologias e propósitos para que as escolas estejam preparadas para acolher e transformar realidades. A integração entre diferentes áreas é o que garantirá resultados duradouros — afirmou.
A secretária de Saúde, Claudia Mello, destacou os impactos da violência na saúde física e emocional de meninas e adolescentes e reforçou o compromisso da pasta com ações de prevenção e acolhimento.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) reforçam a urgência da iniciativa. De acordo com o Dossiê Mulher 2024, só em 2023 foram registrados 2.227 casos de importunação sexual no estado, sendo 690 com vítimas de até 17 anos. Os casos de estupro somam 3.188 vítimas na mesma faixa etária, sendo 1.789 com até 11 anos e 1.399 entre 12 e 17 anos.
O levantamento também aponta que a maioria das agressões ocorre em locais próximos à vítima, como a própria casa, o bairro ou a escola. Dados do Registro de Violência Escolar (RVE) indicam que as meninas representam 91% das vítimas de violência sexual, 94% dos casos de assédio, 79% de abuso e 100% dos casos de estupro nas escolas. Elas também são maioria em registros de bullying, autoagressão (74%) e tentativa de suicídio (100%).
A secretária de Educação, Roberta Barreto, reforçou a importância do cuidado emocional no ambiente escolar.
— Essa parceria é fundamental para garantir não só a segurança física, mas também o cuidado com a saúde emocional das nossas meninas — destacou.
O programa será implementado por meio da formação continuada de educadores, produção de materiais pedagógicos e articulação com redes locais de proteção. Para Amanda Sadalla, diretora-executiva da ONG Serenas, a iniciativa é essencial para garantir um ambiente escolar que promova direitos e relações saudáveis.
— Uma escola segura é aquela em que meninas podem sonhar sem medo e em que meninos aprendem a se relacionar de forma justa e empática — concluiu.
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