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Manutenção de empregos no Brasfels ainda depende de aval da Petrobras

Uma complicada negociação comercial de centenas de milhões de dólares que envolve a controladora do estaleiro Keppel Fels, de Singapura, a empresa britânica Magni Partners e a companhia brasileira Sete Brasil é a nova esperança dos metalúrgicos da Costa Verde para a manutenção e potencial ampliação do número de empregos no setor naval regional. O primeiro passo foi dado na semana passada quando os credores da Sete Brasil aprovaram a proposta da Magni para a aquisição de quatro sondas que estão com as obras paralisadas nos estaleiros Brasfels, em Angra, e Jurong, em Aracruz (ES). Na próxima etapa da negociação é a Petrobras quem deve dizer se aceita este acordo. Para os trabalhadores, um grande passo já foi dado.

— Havia muita expectativa para que este acordo fosse fechado. Isso foi bom mas o desfecho final ainda é uma incógnita. Falta a Petrobras avaliar a documentação e a proposta que foi feita para enfim dar o seu OK. Esperamos que seja concluída esta etapa até o final do ano — explica a presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis, Cristiane Marcolino.

Para entender a negociação é preciso voltar a 2010, quando a Sete Brasil foi criada. O país vivia o ápice da geração de empregos no auge do governo Lula (2003/2010) e o petróleo na camada pré-sal havia acabado de ser descoberto. O índice de conteúdo nacional obrigava as empresas a contratarem obras no país. Mais de 40 mil postos de trabalho foram gerados nesta época. A Sete Brasil foi criada exatamente para explorar o petróleo do pré-sal. Havia então uma alta demanda por perfurações e a empresa contratou 29 sondas em estaleiros brasileiros, 28 delas para atender a Petrobras. No entanto, a partir de 2015, com a queda nos preços do petróleo e as consequências da operação Lava-Jato, todos os contratos foram paralisados, os financiamentos suspensos e as obras interrompidas. No Brasfels, em Angra, ficaram quatro sondas sem conclusão, duas delas já com mais de 70% de obras prontas. O acordo da Sete Brasil com a Magni Partners pretende concluir inicialmente pelo menos estas duas sondas (as semissubmersíveis Urca e Frade) e depois, possivelmente, mais duas, a partir de 2021.

A proposta da empresa britânica foi aceita porque a Sete Brasil está atulhada em dívidas e precisa sinalizar para seus credores. A proposta da Magni Partners teria sido 54% inferior ao valor de avaliação da Sete Brasil, que está em recuperação judicial. Ante ao valor minimo de US$ 554 milhões pedido pelas quatro sondas, a oferta teria sido de US$ 296 milhões. Desta forma, a Magni Partners assume o contrato. Para a conclusão das duas construções venceu a única licitante, o próprio Brasfels, ao custo de US$ 50 milhões. Na parte seguinte do acordo, a Magni espera concluir as sondas e as venderá por meio de um afretamento de 10 anos com a Petrobras a uma taxa diária de US$ 600 mil. A empresa brasileira Etesco, que atua no setor de óleo e gás há quase 40 anos, foi a operadora escolhida para operar os navios após a entrega. Este último contrato é que depende de aval da petrolífera brasileira. Toda a negociação que envolve o estaleiro angrense foi conduzida diretamente pela Keppel Fels, a partir de Singapura.

No chão de fábrica, como se diz, a expectativa é grande. Este é o primeiro movimento de grande porte no estaleiro desde 2015. Autoridades também comemoraram. O prefeito angrense, Fernando Jordão (MDB), em entrevista exclusiva ao Tribuna Livre, disse que a negociação tem a ver diretamente com os contatos feitos junto ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque (foto). O ministro previu que nos próximos anos pelo menos 20 navios sondas serão contratados, parte delas em estaleiros nacionais, ele crê. Para Fernando Jordão, a anúncio do acordo é uma grande notícia. Ele defendeu, no entanto, que seja mantido o conteúdo nacional nas futuras contratações.

— O importante é que o ministro Bento sinalizou de forma correta para nós que isso ia acontecer e que as perspectivas de obras para o setor naval são excelentes. O que ele falou, está acontecendo. Mas queremos que estas obras sejam feitas para empregar os brasileiros, não os chineses. Então temos que manter a luta defendendo os trabalhadores do Brasil e de Angra dos Reis em defesa do conteúdo nacional — defendeu Fernando Jordão.

Prazos — Para os trabalhadores, o tempo de resposta da Petrobras é importante. Como sempre, se houver intervalo grande na contratação efetiva das obras das sondas, pode haver demissões. Em dezembro, o estaleiro conclui possivelmente a obra dos módulos de topsides da FPSO Carioca, o MV-30, de propriedade da Modec. No melhor cenário, se as sondas estiverem contratadas até lá, além da manutenção dos cerca de mil empregos hoje gerados, seriam necessárias cerca de mais mil admissões a partir de 2020. Esta é a esperança.

  • Fotos: Arquivo / Reprodução

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