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Em crise, Eletronuclear pede socorro de R$ 1,4 bilhão ao governo federal

A Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas nucleares de Angra 1 e 2, solicitou ao governo federal um aporte emergencial de R$ 1,4 bilhão para evitar um colapso financeiro até o fim deste ano. Em ofício enviado à controladora da empresa, a ENBPar, a estatal alertou que seu caixa pode se esgotar a partir de novembro, o que comprometeria o pagamento de contratos, salários e a continuidade do financiamento de Angra 3. A indecisão política sobre a futura usina, aliás, é o principal problema enfrentado pela empresa hoje.

O documento da companhia também aponta risco de efeito cascata, com a antecipação de R$ 6,5 bilhões em dívidas e passivos que podem alcançar R$ 21 bilhões. Segundo a Eletronuclear, a falta de liquidez ameaça a ‘viabilidade definitiva’ de Angra 3 e pode obrigar a empresa a depender de recursos do Tesouro Nacional para manter as operações básicas.

No início de outubro, a Eletrobras, antes sócia da Eletronuclear, vendeu o equivalente a 67,95% de suas ações para a Âmbar Energia, do grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista. O déficit imediato da Eletronuclear, o entanto, é responsabilidade exclusiva da União. Em 2021, após a privatização da Eletrobras durante o governo Jair Bolsonaro (2019-22), a Eletronuclear foi ‘rifada’ e virou uma refém da ‘nova Eletrobras’ privatizada.

Entre as principais dívidas da Eletronuclear estão R$ 570 milhões com os bancos BTG Pactual e ABC Brasil, referentes à prorrogação da licença de operação de Angra 1, além de cerca de R$ 700 milhões com a INB (Indústrias Nucleares do Brasil) pela compra de combustível. A empresa também gasta R$ 1 bilhão por ano com Angra 3, que segue inacabada e não gera receitas. Sem socorro, a estatal alerta que o custo de Angra 3 pode corroer o caixa das demais usinas e levar à insolvência da operação nuclear do país.

O Ministério da Fazenda declarou preventivamente ter ‘posição restritiva’ sobre aportes em estatais e condicionou qualquer ajuda à apresentação de um plano de sustentabilidade.

(*) Com informações do jornal O Globo

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