Faltando 15 meses para a eleição de 2026, as atenções da classe política no Rio de Janeiro estão voltadas para a disputa pelo governo do Estado. Até aqui, dois nomes lideram bolsas de apostas e são os mais citados nas pesquisas de opinião: Eduardo Paes (PSD), o bem sucedido prefeito da capital; e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), alçado à condição de vice-governador ad hoc. Os dois enfrentam desafios diferentes no caminho até a urna eleitoral.

Rodrigo Bacellar busca carona na herança política do atual governador Cláudio Castro (PL), que ainda pilota o orçamento estadual e a sua possibilidade de ‘financiar’ a campanha, especialmente no interior, irrigando aliados e prefeituras. Este é o único trunfo de Bacellar, que ainda é bastante desconhecido em todo o Rio. O deputado conta com a renúncia de Castro para disputar vaga no Congresso, a fim de assumir o governo do Rio por sete meses e disputar a ‘reeleição’. Contra o plano, apenas o fato de que Cláudio Castro é o governador mais mal avaliado do país, com rejeição próxima dos 50%.

Já Eduardo Paes navega mar mais calmo, mas não livre de tormentas. Hábil nas redes sociais e expert em comunicação pessoal, Paes é desconhecido do eleitor do interior do Estado. Uma disputa ao governo estadual raramente é construída sem apoio no interior e por isso Paes precisa se aproximar de prefeitos bem avaliados que possam ser cabos eleitorais confiáveis para o eleitor. Paes desconversa publicamente para não adiantar o calendário eleitoral e inflacionar os pedidos, mas é candidatíssimo e, a depender dos adversários, favorito.
Lula e Bolsonaro complicam o cenário no Rio de Janeiro
Um componente de dificuldade para os dois é o momento político nacional. Bacellar precisará ceder espaço à extrema-direita, representada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua ‘famiglia’. A vaga de vice-governador e ao menos uma das duas da disputa ao Senado estão na mesa de negociação. O apoio dos Bolsonaro’s facilita o trânsito de Bacellar nos redutos comandados pelo títeres do bolsonarismo no Rio, em especial na Baixada Fluminense e Região dos Lagos, que juntas detém mais da metade do colégio eleitoral fora da capital.
Paes, por sua vez, precisa calibrar com cautela sua relação com o presidente Lula (PT), que claramente prefere o prefeito no comando do Estado. Apesar da aliança de governo tácita entre os dois, com claro favorecimento à prefeitura carioca, a aproximação com Lula afasta o eleitor de centro-direita, mesmo na capital. E ainda traz junto o PT do Rio, que é ‘useiro e vezeiro’ em arrumar conflitos. Paes tem a vaga de vice e as duas ao Senado como trunfo para atrair aliados e, mesmo que seja discretamente, o apoio do presidente da República o ajuda.
MDB e família Reis são a ‘noiva do momento’
A incógnita do momento é o posicionamento do MDB. O partido que indicou o vice-governador de Cláudio Castro em 2022 é a ‘noiva do momento’. Sob a liderança do ex-prefeito Washington Reis (de Duque de Caxias), já apelidado de ‘rei da Baixada’ pela sua influência política na região, o MDB tem setores que se julgam rifados por Castro no jogo da sucessão e ora flertam com Paes, ora ameaçam voo solo. Prefeitos e ex-prefeitos do partido tiveram encontro nos últimos dias e avaliam testar um nome alternativo, mais como estratégia de pressão, do que coragem efetiva de disputar o governo do Estado.
É o retrato do momento. Início ainda de movimentação das peças na luta por um dos Estados mais complexos e financeiramente insustentáveis da Federação. Essa aliás, pode ser uma das mais importantes escolhas da população fluminense após a redemocratização.
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