A Aldeia Sapukai Guarani, situada no bairro Bracuí, em Angra dos Reis, celebrou nesta quinta-feira, 10, um marco histórico para a educação indígena fluminense: a formatura da primeira turma do curso de Magistério Indígena do Estado do Rio de Janeiro. A cerimônia foi realizada no Colégio Estadual Guarani Karai Kuery Renda e marcou a diplomação de 16 novos professores guarani, que atuarão na preservação da cultura, da língua e das tradições de seus povos.
O evento foi marcado por apresentações culturais, músicas tradicionais, danças e muita emoção. A turma concluiu o Ensino Médio com habilitação em magistério, após sete anos de formação — um percurso repleto de desafios, incluindo as dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19.
— É uma conquista muito grande. Depois de 20 anos conseguimos formar nossos jovens para que sejam professores — destacou o cacique Algemiro da Silva.
O programa de formação teve início em 2018 e é fruto de uma parceria entre a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Secretaria Estadual de Educação. A cerimônia contou com a presença de representantes do governo estadual, da prefeitura e da UFF. Os novos professores agora poderão atuar em sala de aula, promovendo uma educação bilíngue — em português e em guarani mbyá — que valoriza as raízes e a identidade dos povos originários de forma lúdica e contextualizada.
O Colégio Estadual Guarani Karai Kuery Renda atende atualmente cerca de 140 alunos do Ensino Fundamental, com ensino bilíngue. A unidade passou por uma ampla reforma após ser atingida por fortes chuvas em 2023, que danificaram parte da estrutura. A situação precária do colégio e a suspensão dos contratos de seis professores geraram protestos na aldeia em abril daquele ano, no Dia dos Povos Indígenas. Após a mobilização, uma comitiva da Secretaria Estadual de Educação visitou a escola e deu início ao processo de reestruturação, que foi concluído no fim do ano passado.
A escola, que teve sua primeira sede construída pelos próprios indígenas há 37 anos, agora conta com novas salas de aula, refeitório, pavilhões e um campo para atividades esportivas — reforçando o compromisso com a valorização e o fortalecimento da educação indígena no estado.
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