Angra termina eleição sem eleger deputado estadual ou federal

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Apesar de ter outros candidatos na disputa, cidade apostava principalmente em nomes como Célia Jordão, Jorginho Brum, Fernando Jordão e Renato Araújo

Angra dos Reis termina o primeiro turno das eleições de 2026 sem eleger nenhum representante próprio para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ou para a Câmara dos Deputados. A cidade teve outras candidaturas nas disputas proporcionais, mas quatro nomes concentravam as maiores expectativas e o peso político local: Célia Jordão (PSD) e Jorginho Brum (PRD), candidatos a deputado estadual, e Fernando Jordão (MDB) e Renato Araújo (PL), que concorreram a uma vaga na Câmara Federal.

O resultado representa uma derrota política significativa para Angra. A cidade chegou à eleição com candidaturas de grupos políticos distintos e com nomes que já haviam demonstrado força em eleições anteriores, mas nenhum conseguiu transformar a votação obtida no município em uma vaga no Legislativo estadual ou federal.

Célia Jordão disputava a reeleição para a Alerj. Jorginho Brum, presidente da Câmara Municipal, buscava pela primeira vez uma cadeira no Legislativo estadual. Na disputa federal, Fernando Jordão tentava retornar à Câmara dos Deputados, onde já havia exercido mandato, enquanto Renato Araújo buscava uma vaga depois de ter ficado em segundo lugar na eleição para a Prefeitura de Angra em 2024.

A presença de outras candidaturas, entretanto, também fragmentou o eleitorado angrense. Para deputado estadual e federal, os votos da cidade foram distribuídos entre diversos nomes, incluindo candidatos de fora do município. Nas eleições proporcionais, além do desempenho individual, a eleição depende do sistema de distribuição de vagas entre partidos e federações.

Um cenário diferente de eleições anteriores

O resultado ganha relevância principalmente pela trajetória de algumas das principais candidaturas.

Célia Jordão havia sido eleita deputada estadual em 2022 e teve uma votação expressiva em Angra naquela eleição. Fernando Jordão também possui uma longa trajetória política, tendo sido prefeito de Angra e deputado federal em outras eleições.

Renato Araújo chegou à disputa federal depois de obter 39.579 votos na eleição para prefeito de Angra em 2024, quando terminou em segundo lugar. Jorginho Brum, por sua vez, foi o vereador mais votado do MDB nas eleições municipais de 2024, com 3.019 votos, e posteriormente migrou para o PRD para disputar uma cadeira na Alerj.

Durante a pré-campanha, pesquisas realizadas em Angra chegaram a apontar Jorginho Brum na liderança entre os candidatos a deputado estadual e uma disputa equilibrada entre Fernando Jordão e Renato Araújo na corrida pela Câmara dos Deputados.

Nas urnas, porém, nenhum dos quatro conseguiu alcançar a eleição.

Angra sem representação própria

O resultado deixa Angra diante de uma situação politicamente relevante: a partir da próxima legislatura, a cidade não terá um deputado estadual ou federal eleito diretamente com uma base eleitoral construída no município.

Isso não significa que Angra ficará sem acesso a parlamentares ou sem possibilidade de articulação política. Deputados eleitos por outras cidades e regiões também podem destinar recursos e atuar em pautas de interesse do município. Mas a ausência de um representante local reduz a capacidade de a cidade contar com um parlamentar cuja principal base política esteja em Angra.

Para uma cidade que há anos mantém representantes com presença na política estadual e nacional, o resultado deste domingo (4) marca uma mudança importante.

A derrota, portanto, não é apenas individual. Angra colocou diferentes nomes na disputa, mas não conseguiu eleger nenhum deles. O resultado abre agora uma discussão sobre a fragmentação do eleitorado local, a força das lideranças tradicionais e a capacidade dos grupos políticos da cidade de construir candidaturas competitivas para as próximas eleições.

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