Empresa de Renato Araújo é alvo de apuração da PF por contratos no governo Cláudio Castro

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Renato Araújo é pré-candidato a deputado federal com apoio da família do ex-presidente | Foto: Reprodução

A empresa Bravo Construções, do empresário Renato Araújo, de Angra dos Reis, é alvo de uma investigação da Polícia Federal em virtude de contratos de pelo menos R$ 16 milhões para reforma de escolas públicas estaduais durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL). A existência do inquérito que envolve a Bravo foi revelada pelo jornal Folha de São Paulo (FSP) nesta sexta-feira, 29. Renato Araújo é pré-candidato a deputado federal pelo PL e ostenta nas redes sociais ligações com a família Bolsonaro, especialmente com o senador Flávio (PL), pré-candidato a Presidência da República.

De acordo com a reportagem do jornal paulista, os contratos para obras de reforma das unidades de ensino chamaram a atenção do próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ) que teria determiando a suspensão de pagamentos às empresas envolvidas, entre elas a Bravo Construções, hoje registrada sob gestão da esposa de Renato, Tainá Nóbrega de Souza. O empresário diz ter afastado-se da empresa em 2024, quando disputou a prefeitura de Angra, porém, em 2025, há documentos assinados por ele relacionados aos contratos sob apuração.

A investigação da PF teve início após a prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Rodrigo Bacellar (União). Renato Araújo teve o nome ventilado como possível candidato a vice-governador na chapa que seria liderada por Bacellar e tinha o apoio dos Bolsonaro e do próprio Cláudio Castro. Como Bacellar foi alvo de prisão por associação a uma facção criminosa, o salto político não foi adiante.

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As relações da Bravo Construções com o governo do Estado começam exatamente após a posse de Cláudio Castro, em 2023, quando a empresa assumiu duas obras para a secretaria de Estado de Educação do Rio. Em 2025, a empresa foi contratada para mais 15 intervenções, ao custo total de R$ 16,2 milhões, segundo a FSP.

As ligações da empresa de Araújo com o governo do Estado já haviam sido objeto de denúncias do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), que fez uma representação ao TCE com base na forma de contratação destas reformas, inicialmente classificadas como ‘pequenos reparos’ mas que, no entanto, acabavam somando valores altos, porém com menor rigor de contratação. Os repasses e contratos deste tipo saíram de R$ 79 milhões em 2020 para R$ 630 milhões em 2024 e R$ 513 milhões em 2025, com indícios de irregularidades.

Defesa — À Folha de São Paulo, a Bravo se defendeu em nota afirmando que ‘apresentou propostas de preços de forma criteriosa e em estrita conformidade com os elementos técnicos disponibilizados pelas entidades contratantes’. A empresa também negou que as contratações tivessem ‘qualquer vinculação política.

— A empresa atua no mercado da construção civil há mais de 15 anos, com CNPJ registrado desde 2011 e histórico comprovado de obras em diversas cidades e estados. Sua experiência com o setor público remonta a 2015, quando executou a construção de uma unidade do Sebrae em Angra dos Reis e, no mesmo ano, realizou obras para a Andrade Gutierrez durante a construção da Usina Nuclear de Angra — afirma a nota veiculada pela FSP. A empresa declarou ainda que executou 90% dos 15 contratos feitos com o governo do Rio.

Além das obras para a gestão de Cláudio Castro, o empresário Renato Araújo também foi o responsável por supervisionar a reforma da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro na Vila Histórica, em Angra, em 2023. A PF apurou que o contrato de reforma da casa era de R$ 900 mil, apesar de a casa estar declarada no Imposto de Renda do ex-presidente com valor de R$ 98,5 mil. Renato Araújo é um dos amigos de Bolsonaro que solicitou ao Supremo Tribunal Federal, uma autorização para visitar o ex-presidente no presídio da Papudinha (DF) no início deste ano.

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