Emparedado e ciente de que teria poucas chances (ou nenhuma) de viabilizar sua pré-candidatura a deputado estadual no seu partido (MDB), o presidente da Câmara Municipal de Angra, Jorginho Brum, filiou-se na última quinta-feira, 2, ao PRD. Mais votado do MDB nas eleições de 2024 para vereador em Angra, Brum fez o movimento de saída da legenda consciente de que poderá enfrentar uma batalha jurídica para manter a cadeira na Câmara, em virtude de decisões judiciais anteriores terem considerado que o mandato pertence ‘ao partido’, que pode requisitá-lo na Justiça. A disputa tem implicações futuras também, mas Brum garante que não teme as repercussões do ato.
— Eu já sabia que isso poderia acontecer e por isso fiz articulações políticas além do MDB. Tentei insistentemente acesso aos fóruns de decisão do meu partido. Não me deram ouvidos. Não tive outro caminho — explicou o vereador, que está no seu segundo mandato na Câmara angrense.
Desde setembro do ano passado, Brum afirma ter procurado a direção local do MDB para falar sobre seu desejo de ser candidato a deputado estadual. O pleito é justo tendo em vista a liderança local do parlamentar e as aspirações do partido na região. Mesmo assim, o vereador diz não ter tido respostas. O presidente do MDB/Angra é o ex-prefeito Fernando Jordão (2017-24), muito ligado à direção estadual do partido. Jordão teria dito que a pré-candidatura de Brum seria uma ‘surpresa’.
Nas entrelinhas o que se lê é que o desempenho do vereador na disputa à Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) teria potencial para atrapalhar a candidatura a reeleição da deputada estadual Célia Jordão (PL). Ter duas candidaturas fortes em nível local não é desejo da liderança local do MDB/Angra. Por isso, o partido tratou o pedido de Brum com desprezo, acredita o vereador.
Agora filiado ao PRD, Jorginho teria o compromisso da direção regional do partido de que será candidato a deputado estadual. O partido está federado com o Solidariedade e trabalha para eleger ao menos quatro parlamentares estaduais em outubro. Brum terá apoio da cúpula da legenda, em articulação liderada pelo deputado federal Dr. Luizinho (Progressistas).
O vereador angrense sabe que deve enfrentar contestação jurídica de seu mandato, com risco até de perder a vaga. Risco que não é imediato. Um pedido de cassação do mandato por ‘infidelidade partidária’ pode levar semanas para ser analisado e ainda perderia ‘o objeto’ caso Brum seja eleito deputado em outubro. O vereador não teme. Afirma que terá apoio jurídico do próprio PRD na defesa de seu mandato na Câmara e que ‘esgotou’ as tentativas de diálogo com o MDB antes da troca.
Dias antes da mudança de legenda, em discurso na Câmara, um dos aliados de Brum, o vereador Charles Neves (Progressistas), afirmou que a tentativa da direção local do MDB era de inviabilizar a pré-candidatura de Jorginho a deputado, o que seria inútil.
— Nada vai mudar a decisão de Jorginho em ser pré-candidato a deputado estadual. Ele é pré-candidato, será candidato e depois deputado estadual eleito. Não tem retorno, nem recuo — afirmou Charles, acrescentando que esse movimento deveria ser visto como ‘normal’.
A vereador Jane Veiga, colega de Brum no MDB, também deu sinais de que avalia a resistência do partido a validar a pré-candidatura, como sinal de tentativa de ‘isolamento’. Jane, Charles e outros quatro vereadores da Câmara de Angra prometem resistir à pressão política exercida por Fernando Jordão e apoiar Jorginho Brum até o fim da campanha.
A janela partidária para troca de legenda de parlamentares foi fechada em 3 de abril. A mudança, no entanto, não inclui vereadores e por isso os rumores de que Jorginho Brum corre o risco de ‘perder o mandato’ na Câmara começaram a circular em Angra, claramente a fim de criar indisposição do vereador com o eleitorado.
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