A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta que a Black Friday deste ano movimente R$ 5,4 bilhões no comércio brasileiro, um recorde para o período. O valor representa crescimento real de 2,4% em relação a 2023, já descontada a inflação. A estimativa considera o impacto das promoções ao longo de todo o mês de novembro, característica típica do evento no Brasil.
A Black Friday já é a quinta data mais importante para o varejo, atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais. Os setores com maior expectativa de vendas são hiper e supermercados (R$ 1,32 bi), eletroeletrônicos e utilidades domésticas (R$ 1,24 bi), móveis e eletrodomésticos (R$ 1,15 bi) e vestuário, calçados e acessórios (R$ 950 mi). Também devem ter bom desempenho farmácias, perfumarias, livrarias e papelarias.
Entre os fatores que impulsionam o desempenho estão a desvalorização do dólar, a desaceleração da inflação e o aumento do emprego e da renda. Em setembro, o Brasil registrou taxa de desemprego de 5,6%, o menor nível desde 2002. Porém, juros elevados e alto índice de famílias endividadas ainda limitam maior expansão das vendas. A taxa média de juros para pessoas físicas chega a 58,3% ao ano, e 30,5% das famílias têm contas atrasadas.
Outro ponto que afeta o resultado é a concorrência com lojas estrangeiras, que atraem consumidores interessados em preços mais baixos. Ainda assim, a CNC identificou forte potencial de descontos, após monitorar 150 produtos de 30 categorias: 70% delas apresentaram tendência de queda superior a 5%. Papelaria, livros, joias, perfumaria e utilidades domésticas lideram as reduções.
A Black Friday brasileira, criada a partir da tradição norte-americana, vem ampliando seu alcance desde 2010, quando movimentou R$ 1,52 bilhão. Na época, apenas alguns setores participavam da ação; hoje, praticamente todo o varejo adere às promoções, o que reforça a importância da data para o comércio.
Com o aumento das ofertas também cresce o número de golpes, especialmente online. A Senacon orienta consumidores a desconfiar de descontos exagerados, verificar a reputação das lojas e priorizar sites seguros. Especialistas também alertam para golpes usando inteligência artificial, que podem envolver vídeos falsos, perfis simulados e anúncios manipulados. Em caso de suspeita, consumidores podem recorrer ao Procon ou ao portal Reclame Aqui.
(*) Com informações da Agência Brasil
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