A Casa da Cultura de Paraty recebe, entre os dias 11 de julho a 20 de setembro, a exposição “Linhas, Pontos e Contos: A poesia do cotidiano das bordadeiras da Praia do Sono”. A mostra apresenta o trabalho de um coletivo de mulheres caiçaras que transformam o bordado em expressão artística e ferramenta de preservação cultural.
Criado em 2007, o grupo Bordadeiras do Sono retrata em linhas e cores o cotidiano da comunidade, localizada a 20 km de Paraty e acessível apenas por barco ou trilha. Suas obras capturam cenas como pescadores remendando redes, crianças brincando na praia e a exuberante natureza local, criando um registro vivo da cultura tradicional e caiçara. Na comunidade residem cerca de 600 habitantes.
— Bordar é nossa maneira de contar histórias e afirmar nossa existência — explica Zenir Alvarenga Albino, uma das integrantes do grupo.
A exposição oferece uma experiência imersiva, com bordados suspensos como luminárias, paisagens sonoras da praia e documentários sobre o processo criativo. Fotografias de Ana Andrade e poemas de Flávio Araújo complementam a mostra, criando um diálogo entre diferentes linguagens artísticas.
Há um documentário em vídeo que narra o processo criativo e o cotidiano do grupo e há as palavras de voz e afeto do poeta Flávio Araújo, filho da bordadeira Betinha (in memorian), que traz seus poemas para compor a mostra.
— Eu vejo uma conexão profunda entre o bordado e a cultura da pesca. O bordado que minha mãe praticava junto com as mulheres é muito parecido com a forma como os homens entrelaçam a rede de pesca. Enquanto eles costuram a rede, fazem pontos precisos que se assemelham aos detalhes do bordado. Na verdade, ambos representam uma trama comum, uma construção coletiva que inclui homens, mulheres e toda a cultura caiçara — observa Flávio.
O projeto tem patrocínio do Instituto Cultural Vale por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com apoio de diversas empresas e instituições. A entrada é gratuita, democratizando o acesso a essa manifestação cultural única.
Mais do que uma exposição, “Linhas, Pontos e Contos” é um testemunho da resistência cultural caiçara e do poder transformador da arte popular. As obras, já levadas para diversos países por turistas, tornaram-se embaixadoras dessa tradição que une criatividade, memória e identidade comunitária.
Mais informações no site da Casa da Cultura de Paraty
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