DemonstraÁ¿o do uso da urna eletrÙnica para as eleiÁ¿es de 2006.

Apesar de seus mais de 200 mil habitantes e 130 mil eleitores, a segunda maior cidade do Sul Fluminense não terá nenhum representante no Congresso Nacional, em Brasília, ou na Assembleia Legislativa do Estado, no Rio, a partir de janeiro de 2019. O rolo compressor dos candidatos apoiados pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e a enorme divisão do eleitorado da cidade acabaram fazendo com que nenhum dos candidatos locais tivesse sucesso na tentativa de ser eleito.

Proporcionalmente quem chegou mais perto da tarefa foi a primeira-dama angrense, a advogada Célia Jordão (PRP). Com 20,3 mil votos em todo o Estado, Célia ficou a 4,5 mil votos do segundo colocado na legenda, Bruno Dauaire, que foi eleito. Os concorrentes diretos da esposa de Fernando Jordão (MDB) na cidade podem ter lhe tirado estes votos. O médico Christiano Alvernaz (PRB) teve 7,9 mil votos e Essiomar Gomes (PP), quase sempre aliado da família Jordão, desta vez concorreu contra e obteve a confiança de 3,4 mil eleitores. Durante a apuração na noite deste domingo, 7, Célia chegou a estar ‘eleita’ mas, após os 80% de urnas apuradas, não conseguiu mais suplantar o rival do partido. O PRP elegeu dois deputados estaduais.

Já na disputa para deputado federal, Venissius Barbosa (PRP) e Luiz Sérgio (PT) ficaram muito longe da meta. O ex-secretário de Governo de Angra alcançou 19,9 mil votos em todo o Estado. O PRP elegeu apenas um deputado, o filho do ex-governador Anthony Garotinho, Wladimir, que obteve 39,3 mil votos. Venissius foi o terceiro da legenda, suplantado por Ricardo da Karol, que alcançou 24,5 mil votos. Faltaram a Venissius, portanto, 20 mil votos para ser o primeiro da legenda. Já Luiz Sérgio teve desempenho ainda pior, caindo de uma votação de 48,3 mil votos em 2014 para 18,4 mil este ano. Como o PT estava coligado com o PCdoB, o deputado que disputava a quinta reeleição teria de conquistar mais 30 mil votos para ser reeleito. PT e PCdoB juntos fizeram apenas dois deputados: um de cada legenda.

O eleitor de Angra definitivamente escolheu não confiar nos candidatos da cidade. Para deputado estadual, dos 79,6 mil votos válidos, só 29,1 mil foram para os candidatos locais. Os mais votados foram Célia Jordão (12,3 mil), Christiano Alvernaz (7,9 mil) e Essiomar Gomes (3,4 mil). Outros cinco candidatos a deputados estaduais de Angra foram votados. 63,5% dos eleitores angrenses votaram em candidatos de fora da cidade.

Já para a disputa a deputado federal, dos 80 mil votos válidos, só 22,1 mil foram para candidatos locais. Venissius (13,3 mil) e Luiz Sérgio (4,0 mil) foram os mais votados. Em terceiro lugar ficou Tiago Prates (PSC), com 1.987 votos. Outros três candidatos locais também receberam votos. 72,4% dos eleitores angrenses votaram em candidatos de outras cidades.

Celia e Venissius tiveram desempenho diferente nas outras duas cidades da região. Em Paraty, Venissius foi o mais votado com 1.040 votos, Celia ficou em terceiro lugar com 933 votos. O líder para deputado estadual na cidade foi Ronaldo Quilombola (PT), com 1.341 votos. Já em Mangaratiba, Venissius teve 463 votos e Célia apenas 59. Na cidade vizinha, Christiano Alvernaz teve 433 votos. Luiz Sérgio teve 461 votos em Paraty e também 59 em Mangaratiba.

Mais votados — Entre os candidatos de fora, os três mais votados para deputado federal foram Helio Lopes (PSL), com 4 mil votos; Otoni de Paula (PSC), 3,4 mil e Alexandre Valle (PR), com 2,4 mil. Valle foi o único dos três não eleito.

Já para estadual, os mais votados de outras cidades em Angra foram Jorge Felipe (PSD), com 3,7 mil; Edu Jordão (PRTB), 2.590 votos e Tutuca (MDB), com 2.553. Jordão, que tem base eleitoral em Mangaratiba, não foi eleito.

Com este resultado, Angra dos Reis estará fora do mapa político do Estado do Rio de Janeiro a partir do ano que vem.

Presidentes — Jair Bolsonaro venceu em todas as cidades da região. Em Mangaratiba ele obteve o melhor resultado, com 69,7% dos votos. Haddad teve 12%. O melhor desempenho do candidato do PT foi em Angra com 14,9% contra 67,3% de Bolsonaro. Em Paraty, o petista teve 13,9% contra 60,7% do pesselista. Nas três cidades, Ciro Gomes (PDT) ficou em terceiro lugar. Seu melhor desempenho (13,7%) foi em Paraty.

Fotos: Reprodução

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