Angra dos Reis é a cidade que mais desempregou pessoas no Sul do Estado do Rio de Janeiro no último ano (2017/2018), segundo dados do Ministério do Trabalho. O desempenho de Angra é pior que o das principais cidades da região, grandes ou pequenas, medidas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), tendo gerado mais desemprego que Volta Redonda e Barra Mansa, por exemplo, ou que as outras duas cidades da Costa Verde.

Os números cruéis, porém, apenas comprovam um levantamento informal feito pelo Tribuna Livre junto a empresários da cidade, de que haveria mais de 30 mil pessoas adultas em Angra completamente desempregadas, algo que estaria em torno de 15% da população. Desde 2015, o município vê amargar o fechamento de postos de trabalho de forma indefinida nos mais diversos setores.

Entre janeiro e junho deste ano, os números são muito desfavoráveis ao município. A cidade abriu 4.273 postos de trabalho, mas fechou 5.158 com saldo negativo de -885. Para se ter uma ideia, em Barra Mansa foram 4.932 empregos gerados contra 4.507 demitidos, com saldo positivo de 425. Volta Redonda é a cidade com o melhor desempenho, tendo criado 440 empregos, ou seja, mais admissões que demissões (10.659 x 10.219).

Costa Verde — Mangaratiba e Paraty, as outras cidades da região, estão com quadro aparentemente estagnado. De janeiro a junho, Mangaratiba teve saldo positivo de 37 vagas e Paraty fechou 123 postos de trabalho. Quem está desempregado não consegue voltar ao mercado de trabalho e acaba parando de procurar, um dos comportamentos que influencia no resultados deste tipo de medição, como admite o próprio Ministério do Trabalho.

— Eu tentei de tudo em Angra já. Na minha profissão nem tento mais, estou esperando alguma mudança ou pegar qualquer trabalho que aparecer — conta o pintor industrial José Cézar Vasconcelos, 44, demitido em novembro do ano passado.

Nos últimos doze meses, Angra é a cidade que mais tem desempregados. Foram 1.702 postos de trabalho fechados. Nesta soma, Mangaratiba e Paraty também se saem melhor tendo gerado poucos empregos acima das demissões.

Crise — O primeiro grande setor a desmobilizar pessoal em Angra foi a construção civil. A paralisação das obras da usina Angra 3 foi o golpe mais duro, com cerca de 5 mil desligamentos segundo o sindicato da categoria. As obras da usina foram paralisadas na esteira da operação Lava-Jato diante da suspeita de corrupção na contratação de serviços. A própria Eletronuclear entrou em crise financeira em seguida e não há previsão de retomar e concluir a construção iniciada em 2010.

O setor naval foi outro que demitiu funcionários em massa também como efeito da Lava-Jato, já que a Petrobras decidiu inicialmente suspender a contratação de obras e agora opta majoritariamente por enviar seus grandes contratos para o exterior. Quase 7 mil trabalhadores podem ter sido demitidos ou deixaram de ser admitidos. Hoje o estaleiro Keppel Fels, que já foi o maior da América latina, deve empregar pouco mais de 1,5 mil funcionários apenas, com risco de reduzir ainda mais esse número diante da escassez de novas obras.

Como alento em meio ao noticiário ruim, o estaleiro angrense foi contratado pela empresa Modec para fabricar o módulo topside e a integração do navio plataforma FPSO Carioca MV30. A empresa confirmou a nova obra que será a sexta colaboração da empresa de Singapura com a Modec, do Japão.

— O FPSO Carioca MV30 será o nosso 11° projeto de FPSO para o Brasil, e, para o estaleiro Keppel, esta é a nossa quarta conversão— destacou a executiva da empresa Chris Ong.

O Brasfels iniciará a fabricação dos módulos ainda neste ano, o que deve garantir a manutenção de pelo menos 600 empregos, segundo estimativa do setor. O navio FPSO Carioca entrará em operação em 2019.

(*) Publicado antes na edição impressa nº 221 do Tribuna Livre.

Foto: Reprodução

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